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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO E AS INVASÕES BÁRBARAS


O imperador Teodósio (379-395), que foi um imperador de origem ibérica, dividiu definitivamente o Império Romano em dois, deixando cada parte em herança a um filho seu:

O Império Romano do Ocidente, entregue a Honório e o Império Romano do Oriente, entregue a Arcádio.




O Império, porém, estava em desordem. Povos bárbaros (ou seja: não romanos) não cessam de fazer pressão sobre as fronteiras, tentando entrar. No final do séc. IV, Roma já não foi capaz de resistir às investidas destes povos que, por sua vez, eram alvo dos ataques dos HUNOS (povo bárbaro de origem mongol). No mapa, além da divisão do Império, podes observar bem o percurso de invasão de alguns desses povos.

A maior parte dos BÁRBAROS são povos GERMÂNICOS:
Visigodos; Ostrogodos; Suevos; Alanos; Vândalos; Alamanos; Burgúndios; Anglos e Saxões são os povos que mais contribuíram para o fim do Império Romano que cairá, definitivamente, em 476.

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..................Visigodos.....................................................................Ostrogodos

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..................Vândalos............................................................................................. Suevos





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.................. Alanos ..................................................................................................... Francos






Os Hunos usavam estribo e sela de montar e isso permitia-lhes cavalgar com muito mais conforto e, mais ainda, porem-se de pé sobre o cavalo e usarem o arco e a flecha nos combates a cavalo. Ficaram célebres por serem capazes de montar de costas, o que lhes permitia sair do local de combate ao mesmo tempo que continuavam a disparar setas sobre os adversários. Os Hunos eram temidíssimos e as populações escondiam-se ou fugiam ao ouvirem o grito “lá vêm os Hunos!” Diz a lenda que, nem sequer para dormir, desmontavam dos seus cavalos. Chefiados por Átila, os Hunos foram o terror da Europa durante a primeira metade do séc. V.

São os Hunos que, iniciando a sua expansão, empurram os povos germânicos a entrarem nos Império Romano, originando a sua queda.

domingo, 25 de maio de 2014

O URBANISMO ROMANO



ANTES DE MAIS...

Os romanos tinham três palavras para designar "cidade". Para aqui, interessam-nos duas: CIVITAS (povoação grande) e URBS (conjunto dos habitantes da cidade; a própria cidade). Pensa na quantidade de palavras portuguesas que nasceram de cada uma dessas palavras (étimos) latinas!
Quem vive na cidade partilha um espaço que deve ser organizado e obedece a regras que permitem a vida em comum. O espaço da cidade romana era organizado e planificado, de modo a facilitar a vida dos cidadãos.

Apresento, aqui, a planta-tipo de uma cidade romana: não corresponde a nenhuma urbe em especial, mas respeita o conjunto de regras que o urbanismo romano foi desenvolvendo ao longo de mil anos de História.
Como se pode observar, a urbs está rodeada de uma muralha (com torres de vigia) e tem planta rectangular. A cidade divide-se em módulos, separados entre si por ruas paralelas de dimensões iguais. Duas ruas, no entanto, têm dimensões maiores: o Cardo (sentido N-S) e o Decumanus (sentido E-O), desembocando cada uma delas nas quatro portas da cidade. No local em que estas duas ruas se cruzam fica o fórum e o mercado, ou seja: os espaços e edifícios mais importantes.

As dimensões dos módulos em que se divide a cidade determinam o tamanho dos espaços públicos. Assim, por exemplo, o mercado corresponde a um módulo. Apesar destas regras, ao longo do tempo surgiram construções tão grandes que as contrariam, sobretudo em Roma.

A monumentalidade e a utilidade são as características essenciais das construções romanas. Ficam aqui alguns exemplos disso .



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Corte das termas de Caracala (Roma)

Como podes ver, as termas são espaços onde os romanos podem encontrar tudo quanto precisam: escritórios, lojas, bibliotecas, restaurantes e, obviamente, também as piscinas para os três banhos: “caldarium” (banho quente); “tepidarium” (banho morno, tépido) e “frigidarium” (banho frio). Naturalmente, não podiam faltar as salas para as massagens! Sabiam viver muito bem, estes romanos!

Termas romanas de Bath (Inglaterra)
Ponte romana de Chaves
A ponte romana de Chaves foi mandada construir pelo imperador Trajano, no final do séc. I / início do séc. II. Mede cerca de 150 m e tem 12 arcos.







Arco de Sétimo Severo.


Foi construído em 203 para comemorar o décimo aniversário da subida ao trono deste imperador. Os baixos-relevos contam as suas vitórias na Pártia (Pérsia: Irão e Iraque) e na Arábia. O texto da dedicatória destinava-se aos filhos do imperador, Caracala e Geta, mas quando Caracala se tornou imperador mandou apagar o nome do irmão.






Coluna de Trajano
. Foi erigida em Roma em 113, para celebrar a vitória do imperador na Dácia. Mede 30m de altura e no cimo foi colocada uma estátua enorme do imperador. Dentro do pedestal em que assenta a coluna estão as cinzas do próprio Trajano.

No pormenor podem ver-se algumas bandas dos relevos. Cada uma delas mede cerca de 1,30m.

Na página maquettes historiques podes divertir-te a ver reconstituições de Roma antiga. É uma página em francês, mas as imagens são magníficas.

O MODO DE VIDA EM ROMA

1 – HABITAÇÃO

1.1 - Domus
As pessoas poderosas de Roma viviam em casas particulares, as domus.




Na domus, à excepção do átrio (atrium) cada divisão tinha uma função específica. Assim:

A entrada – fauces – dá acesso a um pequeno espaço, o vestibulum, atrás do qual se abre o atrium que é o espaço central da domus. A sua abertura superior (compluvium) permitia a entrada da água da chuva que caía num pequeno tanque (impluvium), ligado a uma cisterna destinada a armazenar essa água. Num recanto do atrium fica o lararium , altar destinado ao culto doméstico.

O atrium fornece a luz necessária às divisões que o circundam, nomeadamente, o triclinium utilizado para as refeições do dia-a-dia e o tablinum, escritório do dono da casa, utilizado como sala de reuniões com pessoas que não fossem da família.

Um pequeno corredor liga o atrium ao peristylium – segundo pátio interior. Como o nome indica, estava rodeado de colunas e era embelezado com arbustos, flores, estátuas, etc. Junto ao peristilo estão os cubicula (cubiculum: quarto de dormir), a exedra (sala destinada aos banquetes) e também os banhos, apenas nas casas mais ricas. Muitas casas ainda tinham um segundo jardim.

Como já deves ter reparado, a casa romana está toda voltada para o interior. A entrada de serviço fazia-se pelo posticum. À entrada de algumas domus havia tabernae (sing.: taberna) que eram lojas do dono da casa que aproveitava para, nelas, vender os produtos das suas propriedades rurais.

O mobiliário romano era escasso, mas isso era compensado pela riqueza dos materiais com que a casa era construída e decorada: chão de mosaico (aquecido por um sistema de aquecimento central) paredes de mármore ou decoradas com belas pinturas.


1.2 – Insulae

A maioria dos romanos habitava em apartamentos arrendados (cenacula) em prédios de habitação: as insulae. Como podes ver pela imagem, o aspecto exterior não era nada mau, mas…


Varandas e janelas sem vidros arejavam o interior; não havia chaminé nem cozinha (cozinhava-se em fogareiros e os moradores aqueciam-se com braseiras); não existia água nos andares (e alguns destes prédios chegavam a ter sete andares!) e, naturalmente, os mais pobres sujeitavam-se a morar nos andares de cima. O preço da renda subia constantemente. O rés-do-chão de cada insula era ocupado por lojas, também arrendadas pelo proprietário.

Pelas características destas habitações, o perigo de incêndio era constante, para já não falar nas doenças provocadas pela falta de higiene.

Roma: da Monarquia à República

Roma foi uma monarquia desde a sua fundação por Rómulo (em 753 a.C., segundo a lenda). Em data incerta, porém, o território romano foi invadido pelos etruscos, povo vizinho, cuja civilização era notável para o tempo, mas cujos reis exerceram uma verdadeira tirania sobre os Romanos que sempre os consideraram estrangeiros, durante os cerca de 100 anos que durou o seu domínio. Sobre o último desses reis podes ler o texto que se segue, baseado nas palavras de Tito Lívio, importante historiador romano do séc. I a.C.


Tarquínio (1), o Soberbo, segundo Tito Lívio

“O filho de Tarquínio, o Velho, casara-se com a ambiciosa Túlia, filha de Sérvio Túlio. Impaciente por suceder a Sérvio, [Tarquínio] procurou rodear-se de senadores (2), seduzindo uns e comprando outros. Quando o momento lhe pareceu propício, correu ao fórum (3) com os seus guarda-costas, entrou na Cúria (2), sentou-se no trono real e ordenou que se convocassem os senadores que acorreram, temerosos. Quando Sérvio chegou, furioso, Tarquínio agarrou-o e atirou-o pela escada abaixo e depois mandou os seus guardas assassinarem-no. Para cúmulo dos horrores, Túlia, que chegava de carro, saudou primeiro o seu marido com o título de rei e depois, encontrando no caminho o corpo de seu pai, esmagou-o com o carro, salpicando-se com o seu sangue. Por causa disso, a rua ficou a chamar-se Via Celerada.

Foi assim que começou o reinado de Tarquínio, o jovem. Chegado ao trono pela violência, governou pelo medo. Recusou-se sempre a consultar o Senado (1) ou o povo para administrar o Estado, para declarar a guerra ou decidir a paz e assinar tratados. Chamando a si o papel de juiz, mandou exilar ou matar muitas pessoas que lhe desagradavam ou às quais queria confiscar a fortuna. Roma, aterrorizada, chamava-lhe, secretamente, o Soberbo, quer dizer, o orgulhoso.”
(Versão livre minha)


(1) Tarquínio, o Soberbo, foi o último rei de Roma. Os seus antecessores foram: Tarquínio, o Velho (seu pai) e Sérvio Túlio (seu sogro). O filho de Tarquínio, o Soberbo, depois de ter brutalizado a esposa de um oficial que estava em campanha, teve de fugir perante a cólera do povo de Roma. A revolta dos romanos estendeu-se ao próprio rei a quem expulsou, instalando a república. Isto aconteceu no ano de 509 a.C.

(2) Senadores são os membros do Senado que é uma assembleia constituída por antigos magistrados. Os senadores eram, por isso, pessoas mais velhas e sensatas e a sua opinião era sempre tida em conta. O Senado reunia-se num edifício próximo do forum, chamado a Cúria. Os senadores davam a sua opinião depois de o presidente lhes passar a palavra e falavam do seu lugar. Depois votava-se. A decisão do Senado (ou melhor, o conselho) era o senatus-consultae.

(3) O Forum era um local de comércio mas, acima de tudo, era o centro da vida política e religiosa. Lá estavam os principais espaços ou edifícios políticos, mas também importantes templos e tribunais (basílica), como podes constatar, observando a planta que se segue. Nota: na basílica, além de julgamentos, fazia-se comércio e realizavam-se reuniões políticas





Para que a observação seja completa é preciso dizer que o Comiticum era um espaço de reunião dos Comícios que eram assembleias populares de grande importância, sobretudo durante a República. A Cloaca máxima era, como o nome indica, a principal via de escoamento dos esgotos de Roma, em direcção ao rio Tibre. Curiosamente, os romanos devem-na aos reis etruscos.




Depois de expulsarem o último rei, os romanos nunca mais quiseram ouvir falar em monarquia. Alguém é capaz de dizer porquê? Todas as explicações são bem-vindas à caixa de comentários!